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Situação Crítica

Situação Crítica

30/06/12

On melancholy hill.

Desde que saí de casa, tenho pensado muito nos meus pais. Eu sou filha única, eles estão na casa dos 50 e, apesar de ainda me terem de sustentar financeiramente, eu começo a ter a minha vida de independência. Ficaram sozinhos naquela casa, que lhes parece tão vazia e tão silenciosa. Cai a noite e não me ouvem a subir as escadas, nem a falar alto demais ao telemóvel, nem os meus filmes na televisão. Voltaram, de certa forma, ao início, à vida de casal pura. Apesar de estarem constantemente preocupados comigo, como se eu nunca tivesse ido embora, são só os dois.

Fico melancólica a pensar nisso, a passar na minha cabeça o filme da reforma deles. O meu pai rodeado dos clássicos, com os óculos na ponta do nariz (e ainda no mesmo estado de mau trato que hoje), a falar de horticultura e política, a pensar num jantar gourmet que acaba por ser empadão de atum. E a minha mãe, exausta de anos e anos de uma vida profissional caótica, com o tricot sobre as pernas, a assentir calmamente, o mesmo casaco de malha roxo de há vinte anos, chá de limonete à cabeceira.

 

(E o estaminé está em destaque. Primeiro destaque no Situação Crítica, terceiro em toda a minha vida bloguística. Muito, muito obrigada.)

18/06/12

And so it continues.

(Exam season status: 2 down, 2 to go.)

 

Por aqui, a noite continua. Batatas fritas, chocolate, coca-cola. O que não mata, engorda.

As desgravadas estão lidas, os exames resolvidos. Uma pequena revisão antes de me deitar e me benzer para que amanhã comecem as minhas férias. Não prometo nada. Ando com um medo terrível de embruxar as coisas se falar nelas.

Acabou de me cair um escaravelho enorme em cima. Quase morri.

11/06/12

The hypothesis of emotional drift.

Todos os dias, há um momento cá em casa em que nada se passa. A televisão está desligada, não há ninguém a comer nem ninguém a conversar, não se ouvem portas a bater nem passos escada acima, talheres na cozinha, gatos no cio no jardim ou melros empoleirados no muro sobre o canteiro de salsa. Apenas uma paz agressiva que me inquieta profundamente, porque tenho histórias na vida e não há nada que me impeça de pensar nelas. E depois quero escrever, e fazer coisas artísticas, e ser um poço de sabedoria, porque para já sou só uma miúda a brincar aos médicos, artista frustrada, que deixou peças pelo caminho e agora anda a tentar apanhá-las, na esperança de se redimir.

10/06/12

What college taught me. #1

Desde que estou na faculdade, aprendi a dar valor ao acto de dormir, a umas horas ou até minutos de sono. Deliciar-me com o prazer aveludado de afundar as pernas no colchão depois um dia de loucura académica e pensar que as próximas horas (ou minutos) vão ser apenas meus. Esvaziar a mente, concentrar-me no meu próprio peito a subir e descer com a respiração profunda, a almofada tão confortável, os lençóis entre os dedos.

E de repente, no meio do silêncio, acho que tenho teste amanhã...

03/06/12

Good day for a picnic.

(Exam season status: 1 down, 3 to go.)

 

Isto de sair de casa para fazer um exame completamente terrífico e levar com uma baforada de ar quente e abafado mesmo na carantonha não é bonito. Isto é o clima a trollar-nos - o verão está quase aí...ah, afinal ainda tens uma catrafada de exames para fazer e muito cérebro para fritar, my bad.

A sério, eu já cheguei a um ponto que, em vez de escrever clítoris nos meus apontamentos de anatomia escrevi minipreço. Minipreço. No silêncio da uma da manhã, a pensar unicamente em aparelho genital feminino (eu sei como isto soa, eu sei...), escrevi minipreço em vez de clítoris. Pouco falta para ter alucinações à Twin Peaks.

E agora, de volta à fisiologia.

29/05/12

The cherry saga.

(Se é a primeira vez que estão a ouvir da Saga das Cerejas, consultar o post anterior.)

 

Continuamos sem pistas, apesar de termos diminuído a nossa lista de suspeitas. No entanto, depois do presente que me foi deixado à porta, estamos todas num clima de tensão. A palavra «psicopata» já foi atirada ao ar umas quantas vezes e já se fala em fazer uma pequena colecta para comprar um colete de forças.

E a cereja no topo do bolo (ah, a ironia), foi a nossa visita diária ao café do bairro. Como clientes assíduas, o dono costuma trazer-nos tremoços ou amendoins por conta da casa. Hoje, contudo, a história foi outra, tendo em conta que ele se aproximou da mesa com um belo prato de...cerejas. Não tive coragem de lhes tocar. Todo um trauma passou a residir dentro de mim.

Começo a pensar que vivo numa espécia de Matrix e tenho de seguir as cerejas como o Neo tinha de seguir o coelho branco.

29/05/12

The game is afoot.

Viver numa residência feminina tem as suas particularidades. Isto inclui, claro, as guerras internas (mais conhecidas por catfights), a roupa interior encontrada espalhada e sem dono aparente, a partilha descarada de momentos demasiado pessoais e, como não podia deixar de ser, os mitos daquilo que fulana vez no Verão passado. Eu isto aguento. Não andei a ver séries como The O.C. e Dawson's Creek durante a minha infância e adolescência para nada. No entanto, quando começam a vir a luz mistérios e furtos, a coisa começa a ficar mais interessante.

Ontem, alguém comeu as minhas cerejas. E não só fizeram isso como também acharam que seria giro cuspir os caroços (limpos de forma exímia, devo acrescentar) para dentro da caixa que continha as mesmas. Quando inquéritos começaram a ser feitos sobre a autora desta actividade crminosa, parecia que ninguém gostava de cerejas ou estava em casa na altura do acontecimento. Aquando dos interrogatórios, toda a gente foi avisada de que nova proeza seria seriamente sancionada caso a culpada viesse a ser descoberta. Fez-se, portanto, uma lista de suspeitas, apesar de sermos obrigadas a dar por terminada a actividade investigativa devido a falta de indícios. 

Por volta da uma da manhã, no entanto, abri a porta do quarto e, no chão, em perigo de ser pisado, encontrava-se um guardanapo sobre o qual estavam cuidadosamente empilhados caroços de cereja. Não se via nem ouvia vivalma na escuridão. O mistério adensa-se.

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